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Ao outro dia apareceu na loja um vitelito. Logo o dono da égua se apressou a dizer:
Olha, a minha égua já tem aqui um vitelo!
- Não é nada! É da minha vaca!
Discutiram, discutiram, até que resolveram ir a Fajão consultar o Juiz. Ele é que diria de quem era o vitelo.
Lá abalaram com os animais. Passaram na Ponte de Cartamilo, na Barroca das Carvalhas, subiram as voltinhas, e quando já iam perto do Reboludo, nem de propósito: vinha o Juiz de Fajão a chegar à estrada, vinha de uma propriedade que tinha lá em baixo à borda do rio e trazia ao ombro uma sachola e uma abóbora debaixo do braço.
Logo ali os dois apresentaram o assunto, cada um, é claro, puxando a brasa à sua sardinha.
O Juiz ouviu, mas logo se fez muito exaltado e disse muito nervoso:
Deixem-me, que eu hoje venho fora de mim, venho mesmo estaporado! Hoje não posso dar sentença.
- Então que é isso, Sr. Dr. Juiz, que foi que lhe aconteceu?
- Então não querem saber?
Eu tinha lá em baixo à borda do rio um bocado de trigo
que era um louvar a Deus!
Estava mesmo bonito.
Mas esta noite as trutas saltaram-me nele e comeram-no todo.
- Isso não pode ser, disse logo o dono da égua. Tenho pescado muita truta, mas da
idade em que estou nunca ouvi dizer que as trutas saltassem para o lameiro para comer erva.
E vai logo o Juiz de Fajão: Pois eu, da idade em que estou, também nunca ouvi dizer
que uma égua pudesse parir um vitelo!
Estava ditada a sentença..
