A CAÇA AOS RATOS

A certa altura apareceu em Fajão uma grande praga de ratos. Eram ratos por todos os lados.

De modo que os de Fajão resolveram juntar-se todos à Cruz da Rua, armados de paus, para matar os ratos quando eles ali atravessavam dum lado para o outro.

Estavam nessa tarefa quando chegou um almocreve.

- Então que é que os senhores estão fazer, aqui todos armados de paus?
- Estamos a dar caça aos ratos, senão qualquer dia até nos comem.
- Quanto dão os senhores a quem vos trouxer um bichinho que come os ratos em pouco tempo?

- Trinta mil réis e uma carga de presuntos. À volta, o almocreve trouxe-lhes um gato.
(Eles não sabiam o que era um gato). O almocreve recebeu a paga e já se lá ia embora, quando eles se lembraram que não lhe tinham procurado que é que o bicho comia. Lá foi um a correr e ainda gritou :
«Ò senhor, que é que o bicho come?»

O almocreve, um bocado aborrecido, respondeu: -«Ora, o que é que o bicho come! Come do que come a gente!»

O homem só atendeu ao final da resposta:
«que come a gente».

Veio então dizer:

«Diz que o bichinho come a gente». Então juntaram-se todos novamente para correr com o bichinho que a gente.

O gato, quando se viu perseguido por todos os lados, meteu-se por um buraco para dentro dum palheiro, e então eles, para arrumarem o assunto, deitaram fogo ao palheiro. O gato ia morrer queimado.

Mas quando no dia seguinte foram ver o resultado, só restavam as paredes e a trave mestra toda chamuscada. E em cima da trave estava o gato sentado e a lamber as patas e a cofiar as barbas.


Pergunta um: que é que ele está a dizer?

- Está a dizer: «Por estes e por estas vos juro que mas haveis de pagar!».


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